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Escova de dentes no banheiro?!

No corpo, temos 100 trilhões de bactérias e apenas 10 de células, sem contar os vírus, parasitas e fungos: é desproporcional. Somos um monte de bactérias ambulante. Mas também não precisa baixar a autoestima por esta razão! Em casa, a parte mais contaminada, com mais microrganismos em potencial, pasmem, seria o sabonete. Imaginem aqueles rachados, irregulares, com cabelos e pelos no box úmido e quentinho do banheiro! Ou na pia. Lá deixamos células descamadas, restos alimentares como açucares e gorduras. É uma festa! Quando aciona-se a descarga do vaso sanitário, há uma farra geral no banheiro.

Aquela garoa cheia de gotículas permeia todo o ambiente: um parque aquático de diversões microbianas. Os micro-organismos vão para todas as partes: pia, papel higiênico, toalhas, roupas, tapetes e escova de dentes! Também vão para o sabonete, xampu, hidratante, flores, enfeites, fi o dental, etc. Diria Milton Leite narrando o jogo: que beleza! E quando duas pessoas usam ao mesmo tempo o banheiro? Diria um amigo: m-a-r-a-v-i-l-h-a! 

A bactéria vive em média vinte minutos e vira duas. Quando fala-se em crescimento bacteriano, está se falando de proliferação. Às vezes escutamos: ... ah! a bactéria foi para tal lugar, ou andou ... Não; bactéria não anda, não tem pés; elas proliferam tão rapidamente que empurram uma as outras, se deslocam e ocupam espaço. Ou pegam carona em alimentos, objetos, partículas de água e secreções para passar de um lugar para outro. 

Quando se coça o olho, as mãos que passaram pela boca estão levando muitos microorganismos para o olho ou outras regiões. As pesquisas indicam medidas simples para evitar contaminações como: antes de acionar a descarga no banheiro, abaixe a tampa, é muito simples! As pesquisas mostram que o spray que sai do vaso do banheiro, aquele vapor do banho quente e o sabonete, toalha e outros objetos podem contaminar mais ainda a escova de dente! Ela deveria ser limpa e desinfetada depois de seu uso, mas poucas pessoas fazem isto. 

Depois das clássicas batidinhas na pia, coloca-a no suporte bonito de porcelana ou acrílico, junto com o tubo do dentifrício, sobre a pia. As bactérias da cárie, gengivite, periodontite, junto com os vírus da gripe, herpes e papiloma podem permanecer ou proliferar na escova. Ainda vem depois os “estrangeiros” do spray do vaso sanitário, sabonete e mãos do dono, quando não aparecem um espirro aqui ou uma tosse ali. Oh, que horror: o que fazer?

 Pesquisas reveladoras

 Depois de muitas pesquisas realizadas pelo grupo liderado por Paulo Nelson Filho na USP de Ribeirão Preto, com várias teses e muitas publicações científicas, temos orientações seguras como: lavar bem as escovas depois de seu uso, remover o excesso de água sem enxugar com toalha, borrifar à vontade um antissético em spray, guardar a escova no armário fechado e sequinho. Antes de escovar novamente os dentes, lave a escova com água corrente.

Ao colocar a escova na bolsa ou bolso, use estojo para evitar contato com moedas, dinheiro e outros apetrechos, mas em casa o ideal é deixar as escovas fora do estojo. As pesquisas revelaram vantagens em usar dentifrícios que contenham o antissético triclosan na composição, pois reduz em 60% a contaminação da escova. Se tiver flúor, o dentifrício reduz em 20% esta mesma contaminação! Trocar escovas com frequência também faz parte destes cuidados. 

Quando você tem gripe ou outra doença na boca e garganta, pode-se reinfectar com a própria escova. Por isto, depois da cura, troque de escova para evitar que a doença se reinicie. O vírus do herpes sobrevive até 7 dias em escovas de dentes. Ao escovar os dentes, acaba-se por colocar bactérias no sangue, não tem como evitar totalmente. A pessoa com doença grave, crônica, debilitante ou que fez uma cirurgia importante, deve trocar a escova com mais frequência e limpá-la com rigor conforme orientam os pesquisadores, para evitar contaminação renal, cardíaca e gastrintestinal. Pacientes hospitalizados que levam suas escovas para casa, podem levar germes importantes e disseminá-los no meio social. 

Deixe-a por lá mesmo! Na enciclopédia hebraica “Sefer haolsmot o maaseh tovia”, os judeus comparam o corpo a uma casa e a boca sempre aparece como sua porta de entrada. Eles têm razão! Aquela gripe que não cura, a inflamação de garganta que não vai embora... Pode estar na escova a sua persistência.

Troque-a!  

 

Fonte: (Alberto Consolaro – Professor Titular da USP e Colunista do Caderno Ciências do JC)

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